Maria Teresa Fiorelli faz sua estreia na literatura com livro de poemas

Postado por 11 Letras em 22/jul/2015 - Sem Comentários

Maria Tereza Fiorelli faz sua estreia na literatura com livro de poemas

Obra reúne textos que tratam da vida, da amizade e do amor

A educadora jauense Maria Tereza de Castro Pirágine Fiorelli faz sua estreia literária com o livro de poemas Gotas d’água no jardim – trabalho que mescla lirismo e ocorrências que marcaram a vida da autora.

Revelando uma escrita sensível e observadora, os textos tratam das vicissitudes da vida, da amizade e do amor. Com 80 páginas, a obra é também o primeiro título lançado pelo selo editorial 11 Letras, criado pela 11 Editora, de Jaú, para autores que optam pela publicação independente.

Maria Tereza é formada em Letras, com especialização em Literatura e Artes Plásticas e pós-graduação em Gestão Educacional. Iniciou sua carreira como professora de Ensino Infantil no Colégio Saint Exupéry. Lecionou em escolas públicas e privadas, trabalhou na Coordenadoria de Ensino do Interior, como assistente técnica, entre outras atividades. Foi Dirigente Regional de Ensino – Região de Jaú, de 2002 a 2007 e atualmente é diretora do Instituto Educacional Profissionalizante (IEP), de Jaú. .

Leia abaixo a entrevista da autora sobre sua obra, as influências literárias, formação de leitores, entre outros temas.

Entrevista

11 LetrasQuando a senhora descobriu a vocação para a literatura?
Maria Tereza de Castro Pirágine Fiorelli: Sou de família de educadores. Minha mãe, avós, tias e tios foram professores. Meu avô, o poeta Tullio Espíndola de Castro. Sempre fui apaixonada por livros. Contemplava a vida através deles. Minha mãe, Helena de Castro Pirágine, escrevia crônicas. São livros de sua autoria: “Minha Estrada”, “É só um Macinho de Couve” e “O Menino e a Réstia de Sol”.
Cresci em meio a poemas e histórias contadas por minha mãe. Desde muito jovem, já “arriscava” algumas quadrinhas… Na faculdade, meu gosto por literatura foi se tornando cada vez mais forte. Quando lecionei no CEFAM (Centro Específico de Formação e Aperfeiçoamento do Magistério) também escrevia, enquanto meus alunos produziam seus textos.

 

11 Letras – Quais foram suas influências literárias?
Maria Tereza – Certa vez, li um artigo que dizia que “você é aquilo que lê”. Acredito que todos somos um pouco (se não muito) daquilo que lemos. A leitura sempre há de exercer influência sobre o leitor. Os escritores por quem mais me “apaixonei” são, sem dúvida, os que mais influenciaram meu modo de escrever.  Vou citar alguns: Machado de Assis, Fernando Pessoa, Mário Quintana, Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira, Thiago de Mello, Chico Buarque… sem contar com a maior de todas, que foi a influência de minha mãe.

 

11 Letras – Como nasce um poema? Qual é a raiz de um texto seu?
Maria Tereza – Muitas vezes, nasce de um momento doloroso ou pleno de felicidade… um fato que diz respeito ao próprio poeta ou ao Universo, com o qual ele mesmo se confunde. O poeta quer reter esse momento… Fernando Pessoa diz sobre o poeta: “O poeta é um fingidor… finge tão completamente…. chega a fingir que é dor …a dor que deveras sente”. Nasce do mais íntimo do ser…nasce quando menos se espera…simplesmente nasce!

 

11 LetrasOnde se encontra a essência da poesia?
Maria Tereza – Na vida, com certeza. E por sua vez, a essência da vida se encontra no Amor.

 

11 LetrasA escritora Adélia Prado disse, recentemente, que partes de suas poesias têm relação com o sofrimento das pessoas. Para ela, é necessário passar por momentos tristes para que se entenda a vida. A senhora concorda?
Maria Tereza – Sem dúvida, a vida nos oferece as melhores oportunidades de aprendizado; e os momentos tristes, para mim, são como gotas d’água que vão regando a terra árida de nossos corações e abrandando nossa natureza.

 

11 LetrasA língua portuguesa é mais aberta aos sentimentos?
Maria Tereza – Penso que estar ou não aberto aos sentimentos não é questão apenas de língua. O poeta expressa seus sentimentos, não importando o idioma. A essência de cada um é o que importa; tanto do escritor, como de cada leitor. O que realmente importa é a escolha das palavras e o uso que se faz delas, bem como a clareza e a coesão textuais. No poema “The Road NotTaken”, por exemplo, o autor, Robert Frost,  transmite tão bem  ao leitor seu sentimento de angústia ao fazer a  escolha entre dois caminhos, e a nostalgia do sentimento de perda daquilo que não foi vivido. Desse modo, quando lemos seu poema, nós é que experimentamos essa nostalgia, o sentimento de ter que escolher entre dois “caminhos”; nessa escolha, haverá sempre um ganho ( o caminho escolhido) e uma perda ( o deixado para trás).

 

11 Letras – Gotas d’água no Jardim é seu primeiro livro. Como foi o processo de concepção da obra? O que o leitor vai encontrar em suas páginas?
Maria Tereza – São poemas escritos ao longo do tempo. As gotas d’água são os acontecimentos que marcaram minha vida, ou a vida de pessoas que pude observar, e que também me tocaram.

 

11 LetrasQue avaliação a senhora faz sobre a produção literária contemporânea?
Maria Tereza – A Literatura contemporânea, assim como a cultura de um modo geral, tem se pautado na multiciplidade de tendências e estilos, tanto na prosa, quanto na poesia.  Há uma ruptura com alguns valores tradicionais, novas formas de expressão, novos caminhos; por outro lado, alguns autores até mesmo retomam a linha de criação de escritores já consagrados. A prosa, muitas vezes, faz uso de elementos do poético, como metáforas, sinestesias, antíteses,  neologismos e paradoxos, constituindo-se as prosas poéticas. O escritor moçambicano Mia Couto (vencedor do Prêmio Camões 2013), no conto “O Cego Estrelinho”, explora muito bem esses elementos poéticos. Já no título temos o uso de neologismo, antítese e a metáfora. É, então, difícil definir a poesia contemporânea, que se apresenta de diferentes formas, tal qual o mundo de hoje: múltiplo, diversificado e aberto a novos horizontes.

 

11 LetrasQual, em sua opinião, seria uma maneira de incentivar a formação de leitores?
Maria Tereza – Como professora de Língua e Literatura Portuguesa, sempre procurei trabalhar com textos diversificados em sala de aula; tinha como objetivo fundamental, a formação de bons leitores. Ao analisar as redações de meus alunos, percebia a dificuldade na forma de expressão. Eram jovens que viviam em bairros de periferia, não tinham acesso à informação e, muito menos contato com livros. Hoje a comunicação é muito mais rápida, e o jovem tem bem mais acesso à informação. Mas, muitas vezes, o jovem de hoje está quase que só ligado à linguagem do internauta, o que dificulta sua formação de leitor. Compete a nós, “educadores-sonhadores”, reverter essa situação. Para isso, a escola deve incentivar e priorizar não só a leitura de textos literários, como também a leitura de obras de arte, filmes, jornais, e demais textos. Assim, estaremos dando a oportunidade a eles de crescer no conhecimento, na leitura e produção textuais.

11 LetrasJá tem planos para o próximo livro?
Maria Tereza – Não havia pensado em lançar livros. Mas é como se fosse o primeiro filho. Talvez, um livro de crônicas, quem sabe…

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